segunda-feira, 27 de março de 2017

Três vidas perdidas na nostalgia dos dias que não voltam.



Três vidas perdidas na nostalgia dos dias que não voltam.
O senhor pescador não sabe se seu barco voltará ao mar, nem mesmo ele sabe se a sua pessoa poderá volt...ar à faina. Uma observação do casco da sua vida, árdua e de elevado perigo. Agora em terra a sabedoria sabererá falar mais alto.
Um sem abrigo que passou largos tempos na minha terra materna, sem eira nem beira, atravessava o alcool e um destino incerto que perdido nem ele mesmo sabia onde o podia levar. Vida sem destino, vida que certamente teria muito para contar aos trauseuntes que em nada lhe davam crédito. Passado dois anos viu vaguear pelo alto minho, sempre com o seu ar de sofrido. Tive pena de não interagir com ele. Certamente algo de novo apreenderia com ele. A valeta é um lugar comum, pode calhar a qualquer um de nós, ninguém está livre.
Por fim o Senhor Alcino lutador da segunda guerra mundial, presentemente não sei se ainda será vivo. Quando o conheci já tiinha noventa anos e uma lucidez invejável para a sua idade. Dele ficou um testemunho que guardo com muito apreço; a sua história em verso de marinheiro na fragata que o levou a dar a volta ao mundo em plena segunda guerra mundial. Coisas que nos marcam para sempre.
Quis partilhar convosco estas três personagens que se cruzaram na minha vida. Gente humilde sem pretenções a heróis. Gente de uma simplicidade fora do comum.
 
Q.A.
Fotos #33688FA

quinta-feira, 23 de março de 2017

Um dia trouxe-te até mim…
 
Não sei bem ao certo o que vi em ti. Eras diferente das comuns mulheres, tinhas uns olhos de um azul celestial que ao fixa-los viajava... por terras sem fim. Talvez estivesses muito acima de mim, cognitivamente, e isso eu não consegui prever. Tinhas um coração doce, que me queria proteger dos infortúnios da vida, e isso eu também não levei muito a sério. Gostava de ver-te descer a calçada com a tua silhueta deslumbrante e eu, ficava impotente olhando-te sem forma de te haver.
Falamos muito quando tivemos oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, vieste até mim, subiste a serra, caminhos por poucos percorridos, e um dia foste embora das nossas conversas prolongadas que te ajudavam a passar o tempo difícil do trabalho, e eu ficava feliz de te ouvir, sentia-me como se estivesses ao meu lado. Foste e não voltaste mais. Talvez tivesse que ser assim mesmo, os nossos caminhos apenas se cruzaram por um tempo, e nesse tempo fui feliz. Obrigado amiga…
 
Quito Arantes
23/03/2017

terça-feira, 21 de março de 2017

http://pravdailheu.blogspot.com/2017/03/faz-hoje-5-meses-e-13-dias-que.HTML

Faz hoje cinco meses e 13 dias que a Maria de Lurdes Lopes Rodrigues está presa em Tires. Não roubou, não matou nem traficou droga. Foi condenada por "injuriar" um magistrado e "difamar um Órgão de Soberania". O Sr. Juiz de execução de penas ainda não a soltou. Julga que o  crime ainda não está pago. É de opinião que ela ainda deve estar muito mais tempo presa. Tem de cumprir pelo menos metade da pena que foi de 3 anos. Isto parece quase anedótico num país democrático saído da Revolução do 25 de Abril de 1974.

  Entretanto, Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Armando Vara e Zeinal Bava: faliram bancos fraudulentamente, descapitalizaram empresas públicas também de forma fraudulenta envolvendo somas astronómicas de milhares de milhões de euros e nem um dia de cadeia apanharam. Mas que democracia tem este país à beira do mar plantado!?

 Mas  o pior disto é que ninguém se indigna, a comunicação Social não comenta, não fala. Os partidos de esquerda assobiam para o lado, as organizações filantrópicas que enchem a boca com o clichê dos direitos humanos, nada dizem sobre este assunto. Mas que choldra de país!

sexta-feira, 17 de março de 2017


Demorou cinco anos a perceber o que Maria Carvoeira, senhora carismática de Castro Laboreiro, queria dizer: - Vai para a tua terra! Filho da puta!
Intrigava-me a forma e tom com que me dizia isso, e aos poucos, fui entendendo, como perceber que no meio da "loucura" podemos seguir o nosso caminho da verdade.
Um bom amigo, que me ajudou bastante, também me dizia: - " Os Castrejos não te querem cá!"... E eu pensava como podia ser possível tais afirmações... Eu que nos meus escritos tinha posto para a eternidade, nos píncaros, o Povo Castrejo, via agora ser "uma persona non grata". Realmente a interioridade que este povo sofreu ainda está marcada nas suas raízes, mas mesmo assim, ou de qualquer outra forma, houve gente que me soube entender, e ainda há.
O conflito geracional é bastante marcante, devido aos mais recentes homens da emigração. Novos conceitos de vida que proclamam numa mescla europeia consumista.
Mas, Maria Carvoeira estava na sua razão. Em cada dia madrugador que por ela passava, sentia mais perto o bater da sua seixola que tocava o chão asfaltado a passo certo. Com o passar dos anos comecei a olhar de forma diferente para Maria. Não lhe fixava os olhos, simplesmente lhe dava um bom dia fugidio para não haver atritos.
Apesar de continuar a ser um cidadão recenseado na União de Juntas de Freguesia de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, e ter casa própria e bons vizinhos, esta localidade, para mim nunca mais vai ser a mesma, com a saudade dos bons momentos que por lá passo.
Espero que nenhum Castrejo se sinta denegrido com estas minhas palavras, porque apesar de não ser bem-vindo para alguns, continuo a ver este povo, que bem me acolheu, de bons olhos.
Q.A.