sexta-feira, 17 de março de 2017


Demorou cinco anos a perceber o que Maria Carvoeira, senhora carismática de Castro Laboreiro, queria dizer: - Vai para a tua terra! Filho da puta!
Intrigava-me a forma e tom com que me dizia isso, e aos poucos, fui entendendo, como perceber que no meio da "loucura" podemos seguir o nosso caminho da verdade.
Um bom amigo, que me ajudou bastante, também me dizia: - " Os Castrejos não te querem cá!"... E eu pensava como podia ser possível tais afirmações... Eu que nos meus escritos tinha posto para a eternidade, nos píncaros, o Povo Castrejo, via agora ser "uma persona non grata". Realmente a interioridade que este povo sofreu ainda está marcada nas suas raízes, mas mesmo assim, ou de qualquer outra forma, houve gente que me soube entender, e ainda há.
O conflito geracional é bastante marcante, devido aos mais recentes homens da emigração. Novos conceitos de vida que proclamam numa mescla europeia consumista.
Mas, Maria Carvoeira estava na sua razão. Em cada dia madrugador que por ela passava, sentia mais perto o bater da sua seixola que tocava o chão asfaltado a passo certo. Com o passar dos anos comecei a olhar de forma diferente para Maria. Não lhe fixava os olhos, simplesmente lhe dava um bom dia fugidio para não haver atritos.
Apesar de continuar a ser um cidadão recenseado na União de Juntas de Freguesia de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, e ter casa própria e bons vizinhos, esta localidade, para mim nunca mais vai ser a mesma, com a saudade dos bons momentos que por lá passo.
Espero que nenhum Castrejo se sinta denegrido com estas minhas palavras, porque apesar de não ser bem-vindo para alguns, continuo a ver este povo, que bem me acolheu, de bons olhos.
Q.A.






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