sábado, 19 de setembro de 2015

Pelos olhos de um novo Povoador


Subo a montanha, num tempo anunciando um outono agreste.
Olho em meu redor e tudo está num verde enregelado. Não sabia o que podia encontrar na natureza em transformação. No fundo, queria encontrar algo que me surpreendesse. Em pequenos passos de um andar sereno, fui vendo flores que desconhecia. Todo aquele passeio era uma descoberta numa terra que me acolhia desinteressadamente. O vento rugia entre as urzes e giestas. Era um passeio solitário, como sempre me habituei a fazer. Era eu e a natureza, onde sem haver previsibilidades encontrava respostas para interrogações que minha mente pedia. Sempre achei que esta terra escolhida para viver tinha algo de mágico, não podia encontrar outra coisa se não o espaço que ansiava para a minha tranquilidade. Aquilo que na cidade, descaracterizada me confundia o pensamento tinha ficado para trás, e ali, no enquanto dos Deuses, via que as flores selvagens tinha outro encanto. Um encanto que entrava e aquecia o meu coração.
A vida tem momentos que não podemos ignorar, são momentos que como uma teia de uma aranha vai tecendo o aveludar do pensamento.
Agora, neste lugar que viu chegar este forasteiro convertido aos encantos da serra, pedirei aos Deuses que me deem força para levar a minha caminhada ao encontro da transparência que tanto necessito.  

 Quito Arantes
19/09/2015