domingo, 13 de abril de 2014

A Carta nas Quatro Estações (em curso)

Amiga! Agora, que a primavera se afirmou, estou na cidade, mas com a cabeça no meu recanto, saudades das minhas plantas, dos meus vizinhos. Falta-me a passagem diária em frente de minha casa, das cabritas da minha vizinha, que fazem o favor de podar, através da rede de vedação, os louros que saem para além da rede. Os copos das tulipas quando chegar a casa, já devem estar coloridos, e de frente para eles agradecerei a Deus a vida crescer no pátio de casa. Amo o campo, amo a serra com todas as suas condicionantes. É um privilégio, conseguir estar, onde realmente, minha alma descansa. Nem sempre foi possível, e agora preservo esta dádiva, com olhos de ver.
Podemos não ter muito dinheiro para gastar, mas há coisas que não têm preço, não há dinheiro que compre, o conseguir estar em equilíbrio com as forças da natureza humana. Todos os caminhos percorridos não foram em vão, levaram-me ao encontro de problemas resolvidos, em simples dizeres, de alma aberta, às pessoas que me querem bem, e aí eu venério toda a vontade de me verem feliz.
Esta eternidade, que paira sobre mim, faz com que não haja receio desta vida efémera. Vamos ser melhores na nossa criação temporal, vamos sair da escuridão da alma, vamos sentir-nos grandiosos à imagem de Deus. Nunca em tempo algum, a felicidade me atingiu tão fortemente, como nestes últimos três anos de vida serrana. Creio que sou um elemento da natureza, e nela devo respeito. Sentado nas montanhas, sinto a força da natura, respiro o ar puro que me oferece, e como se o caminho não tivesse volta para dar, acaricio as árvores centenárias, banho-me nas águas cristalinas que descem as corgas. Há sempre um tempo na vida que decisões têm que ser tomadas, para um melhor encontro com nós próprios. Rezo pela vitória do bem sobre o mal, que haja salvação para as almas perdidas. Todo o meu querer de amar o próximo, é como uma necessidade de me sentir livre de preconceitos estereotipados numa sociedade de consumo, que não olha a meios para obter fins.

Terei para ti, amiga, aquele abraço amigo, como querendo transpor para ti, parte da minha felicidade. 
by Quito Arantes

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