quarta-feira, 5 de março de 2014

" A Carta nas Quatro Estações "

Capítulo XXXI

Depois de um dia de temporal, advinha-se o prenúncio de primavera. Será a bonança tão esperada, talvez uma semana de sol espera por nós, gente da serra. Talvez seja altura de meter à terra os dentes de alho. As sementes de roseira brava, finalmente germinaram. Espero conseguir umas lindas trepadeiras para ornamentar a minha entrada de casa.
Este inverno é um dos mais rigorosos de há várias décadas. Não era previsível que tal acontecesse, mas que havemos de fazer… Contra a natureza pouco, ou nada podemos. Quero entrar neste novo ciclo da natureza, da mesma forma que as flores florescem, também eu preciso de renovar a minha forma de viver. Quero acordar e ir ao terraço, sentir o sol nascente primaveril. Terei, mais duas estações para te contar sobre meus sentimentos pela natura.
Nestes acordar matinais, é sempre com aquela vontade e compromisso de escrever umas palavras para ti, minha amiga. Já há muito tempo que não encontramo-nos pessoalmente, mas continuamos presentes no nosso dia-a-dia. Tudo se torna simples nas nossas conversas; falamos dos meus projetos de vida, das minhas plantas, da minha futura horta, do teu trabalho, das tuas viagens de serviço, onde não falta o sentido de humor. Gosto da nossa amizade, desinteressada, prevalecendo o respeito mútuo.
Ultimamente os meus sonos andam um pouco descontrolados, mas como não tenho horários a cumprir para entidades patronais, posso gerir a meu bem-querer os meus dias e noites. Como já te disse atrás, os dias tornam-se noites e as noites, dias. Esta vida, escrevinhadora, tem destas coisas; tenho que estar permanentemente disponível para escrever. As vontades de teclar no computador, transpondo, os meus sentimentos, do momento, não podem, nem devem ser reprimidas.

By Quito Arantes