sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ATE SEMPRE!


O seu futuro era uma parte incerta, e outra concreta nos seus escritos. Queria tornar-se um escritor de verdade, mas para isso empenhou-se em ler, ler muito, principalmente autores portugueses de referência. Havia uma vaga de novos autores que na realidade escreviam muito bem, dentro do seu género. Francisco Moita Flores, José Luís Peixoto, ou Rosa Lobato Faria, foram autores que ele me disse um dia, que adorou ler. Numa das conversas que tivemos aquando dum fugidio encontro na cidade, ele foi-me dizendo que não compreendia, agora, a pressa da vida da cidade. O fim será sempre o mesmo, devagar ou de pressa, e quando estamos com pressa, não apreciamos as pequenas coisas belas da vida. Questionei-o se ele não andava a fugir de algo, num tom sereno, foi-me dizendo que a vida não se resumia a aglomerados de pessoas, atarefadas, com medo de não chegarem a tempo dos seus objetivos, como se o mundo fosse acabar para semana. Sentir o vento rasgar as urzes, levar as folhas do outono, a chuva enchendo os regatos e por vezes a neve criando mantos de uma brancura sem fim, era coisas que para ele tinham o maior significado. A natureza no seu estado primitivo, quando abria a janela do quarto, dava-lhe a sensação que tinha sido um privilégio a sua decisão de viver no campo.

excerto, a publicar
by Quito Arantes