sábado, 25 de janeiro de 2014

"A Carta nas Quatro Estações"

Tenho o privilégio de poder não distinguir dias da semana de fins de semana. Mas sei que todos os dias são dias de trabalho. Não um trabalho de horas fixas, mas de compromisso com os meus objetivos.
 Apesar de não ter a oferta dos grandes centros urbanos, tenho aquilo que me faltava; o encontro sistemático com a mãe natura, onde reflito sobre a minha vida, e aquilo que pretendo com ela. Ainda mesmo agora me levantei, pelas 4:30 horas, tomei um duche bem quentinho, fiz um café forte, e sem imposição externa à minha vontade, estou escrevendo-te, porque é assim que quero que as coisas aconteçam. Não é fácil viver assim, abdicar de muita coisa, que por vezes até dava jeito ao dia a dia, mas como muita gente o diz: - ”não se pode ter tudo”.
Uma coisa muito importante, e talvez essencial, eu tenho; uma paz interior, que suporta todas as minhas adversidades. Já tive ambição de ser rico, dar a volta ao mundo, ou então viver na ostentação, mas um sinal, talvez do Supremo, me fez ver a luz da razão, e sentir, quanto pequenino nós somos no universo. O legado que deixo, neste mundo terreno, são os meus escritos, fruto do meu trabalho criativo, ou não, tu o podes dizer, amiga. Deus assim quis que fosse, não ter filhos, não foi nenhum drama para mim. Foi algo que devia estar premeditado para mim. Agora vejo, que a frase religiosa: “ Deus escreve bem, por linhas tortas”, assenta que nem uma luva em mim…

Capítulo XXIV
excerto
Quito Arantes