domingo, 15 de dezembro de 2013

" A CARTA "


E aqui estou, mais uma vez, acordado pela madrugada de cabeça fresca de um sono “mais ou menos bem passado”. Mas o importante é, que estarei sempre presente nesta carta que te escrevo, das quatro estações, que por vezes nos vai transformando em seres melhores.
 Tenho que ter sempre uma música de fundo, acompanhando o meu escrevinhar, para assim as palavras saírem com maior fluidez. Em toda esta carta já te falei de mim, de pessoas próximas, da natureza em constante mutação, mas quero-te falar mais destas estações do ano que transformam a terra a e a paisagem. Poderei ser, eu, um homem diferente, para melhor? Espero bem que sim, mas nunca o conseguirei sozinho, terei sempre que ouvir ensinamentos de pessoas que por gentileza se vão aproximando de mim e contam episódios de suas vidas sem nada lhes ser pedido. Memorizo o cerne das questões, vivo histórias que me contam, como se fosse um singular elemento delas, e vou aprendendo devagarinho, que vidas não devem ser comparadas. Tenho um certo apreço por gente que se aproxima de mim, que tem boas vibrações com a minha presença e aí vou escutando com simpatia. Na maior parte das vezes, sentimentos sofridos, onde pairam acontecimentos vividos por pessoas que longos caminhos percorreram para chegarem à minha conversa. Não sei se é da viagem que vou fazendo na minha vida, que me faz sentir um homem melhor. Houve tempos, tempo longínquos que nada destas coisas me diziam respeito, passava ao lado de histórias de vida, que certamente seriam fascinantes, mas hoje, não perco uma boa histórias, venha ela de onde vier, mas, sempre que venha por bem, não vou muito em histórias de vinganças, não faz o meu género.
Nestes dias de festas natalícias, terei oportunidade para tentar viver de forma consciente a cidade materna, sem preconceito, tentando abster-me dos agitamentos citadinos, com se fosse uma simples mosca se sobrevoa de aroma em aroma. Quero deixar-me ir pela solidez dos acontecimentos desta terra que me viu crescer de forma um pouco ortodoxa. Mas hoje homem maduro tento ser consensual por onde passo.
Ontem, eu e meu pai olhávamos pela janela da saleta. Observávamos as árvores do jardim público que fica logo em frente, e meu pai dizia: - Ainda há pouco tempo não se via nada para lá das árvores, hoje estão despidas de folhas.
Notei nele uma certa tristeza desta “natureza morta”. Sem deixar pousar a tristeza nele, respondi-lhe:- Deixe lá Pai, é o inverno, daqui a dois meses as árvores voltam a arrebentar e bonitas flores das ameixoeiras bravas, trarão alegria ao jardim, anunciando a primavera. Vai ver que daqui a nada já vai ver tudo verde…
 
In " A Carta "
excerto
em curso
Quito Arantes