sábado, 14 de dezembro de 2013

" A CARTA "


Capitulo XVIII
 
Depois de carregado o carro até ao tejadilho, despedi-me dos meus vizinhos, e com vontade de ver meus pais, fiz-me à estrada. Ameaçava chuva, mas felizmente, foi uma viagem tranquila. Deixar a serra não é fácil, é muito mais fácil deixar a cidade e subir para os meus encantos, onde a natureza espera sempre por mim, recebendo-me de braços abertos.
O reencontro com os meus pais, é sempre feito em alegria, principalmente quando os encontros bem de saúde.
Ontem, foi dia de tratar de assuntos profissionais e sentimentais. Apesar de levar uma multa de estacionamento, nunca é demais quando é para visitar a minha amiga do coração que está hospitalizada. Fui encontrá-la bem, e com um sorriso meigo quando deu com os olhos em mim. Foi uma visita de uma hora, onde falamos um pouco de tudo. Irá passar o Natal com a família, já com o bicho morto, e alegria de viver. Teremos os nossos encontros, sempre que os nossos corações assim o ditem. Vim feliz, sei que está bem e que talvez amanhã volte para sua casa.
Custou-me um pouco voltar ao frenesim das cidades, tive que me concentrar mais do que o costume para levar findo tudo direitinho. As multidões mexem comigo, já não me habituo ao encruzilhar das pessoas pelas ruas das cidades. Gosto de sentir o caminho livre pela minha frente, sem grandes obstáculos.
Nestes dias que estarei na casa dos meus pais, farei o máximo possível companhia ao meu “velhinho”, que por vontade própria, não sai de casa já há muito tempo. Sinto-me um privilegiado por ainda ter família, quero dizer, pais. Continuamos a ser um grande suporte para ambos, mas não quero falar de futuro, quero viver um dia após o outro.
Aqui na cidade o inverno é mais ameno, ainda se pode considerar fim de outono, as folhas castanhas ainda continuam a cair agora com mais ferocidade. Rastos de folhagens acumulam-se pelas bermas da estrada e passeios, muito trabalho para os homens camarários que tem por função limpar todas estas folhas caídas e mortas de um ano de vida.
 
Excerto
In " A Carta "
em curso
Quito Arantes
 

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