segunda-feira, 21 de abril de 2014

"A Carta nas Quatro Estações" (continuação)

Capítulo XXXVI

Das flores e regatos de águas cristalinas, vejo a natureza no seu esplendor, onde possa dizer: estou vivo no olhar de encanto pelo que de mais belo ela me pode dar. Ver as cabritas pastando livremente nos prados, o feno que cresce num alimento anunciado para o inverno agreste. Não sei onde tudo isto me poderá levar, nem estou em idade para pensar nisso. A presença dos dias vividos com amor e intensidade, numa comunhão com a terra, é a cura que mais eficácia pode ter para os tiques citadinos que me poluem a alma. Agora é o reencontrar da paz na subida à serra, onde “a casa do sol nascente” espera por mim. Estou curioso de ver as morangueiras que crescem suspensas na parede da casa, e ver também, as tulipas floridas nos seus copos coloridos.
Posso imaginar o meu respirar, profundo ao deparar-me com os maciços granitos do Alto Mouro, e encontrar o meu paraíso intato. Amo a serra, amo tudo que a natureza me oferece, amo o homem montanhês, na sua originalidade, e serenidade. Tenho saudades das “poças” do meu lugar, ver o sol nascer no planalto do Laboreiro, e encontrar o meu descanso de alma sofrida.
Não guardo rancor a ninguém, nem mesmo dos meus, ditos inimigos, sei perdoar, ninguém é perfeito, também eu erro todos os dias. Deverei ser um homem melhor cada dia que passa e viver numa harmonia com Deus e os homens.
Ficarão as saudades da família, até novo encontro, onde possa afagar as ansiedades de uma vida complexa. Não digo um adeus, digo um até breve, onde a necessidade de um novo encontro surja nos nossos corações.


" Obrigado Deus por um novo amanhecer"

by Quito Arantes

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