segunda-feira, 24 de março de 2014

A Carta nas Quatro Estações - Capítulo XXXIII

Acordei com uma saraivada lá fora, estava tudo branco, como que o inverno se despedindo, definitivamente. De tarde o sol raiou em pleno, numa primavera anunciada.
De que vale queixar-me do tempo ou do clima em que estou inserido? Foi aqui que escolhi para viver, já sabia que o tempo aqui na serra era agreste, e não podendo ter tudo, como é evidente, aproveito tudo o que é de bom, intensamente. Gosto de dar passeios ao quarteirão da vila, no meu vagar, vou olhando a tão característica vila castreja.
É inevitável não passar pela Maria Carvoeira, que apoiada, no cabo da sua sachola, deambula pela vila. É a figura típica da Castro Laboreiro, sozinha no mundo, vai vivendo da caridade.
Dentro de pouco tempo, as colinas ficarão matizadas de lilases, amarelos e vermelhos das urzes. Será o esplendor da primavera. As aves edificarão nos ramos dos vidoeiros e choupos junto dos ribeiros de águas cristalinas.
Sabes amiga, esta carta que te escrevo, está já em contagem decrescente, falta-me menos de duas estações, completas, para a terminar. Não sei o que ficará depois, mas certamente, deixarei um bom pedaço de mim em ti. Mesmo que a vida, um dia, leve-nos para sítios opostos, ficará sempre boas recordações que nesta distância tão perto de nós, nos uniu por momentos…

by Quito Arantes

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