quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"A Carta"


           Como poderei dizer que estou completo se ainda não tenho o meu Amor perto de mim? Tento esquecer os momentos de falta, abstraindo-me daquela dor no peito pela sua ausência, e imagino como será bom um dia tê-la ao pé de mim, partilhando a vida em comum. Quero envelhecer com o seu terno toque e abraço caloroso que me dá nos pontuais encontros a dois.
        Já afirmei que este inverno seria de reflexão, onde retirarei o melhor que ele me poderá dar. Estou um pouco limitado de movimentos na natureza, pois o agreste tempo aqui na serra, nem sempre deixa o astro rei iluminar estas terras fecundas. Sei que a natureza também tem momentos de imagens tristes, principalmente nesta estação do ano, que me enclausura em casa. Mas esta chuva que cai, incessantemente, tratará mais verdes campos, mais florir de plantas que surgirão no início da primavera. Essa sim, bela de se ver, no rejuvenescimento da flora, no edificar das aves.
         Queria ultrapassar esta estação do ano, mas não o posso fazer, quero que seja naturalmente, no acompanhar dos dias, até que ela dê lugar à nova e bela primavera. Ainda faltam tempos de nevadas, tempos de frio gélido. Eu continuarei aqui no meu escritório improvisado escrevendo-te, minha amiga, que sabes bem mais do que eu de plantas e animais. Mas será sempre com apreço, que te relatarei estas quatro estações pelas quais vou passando, e será um ano de escrita, até que chegue novamente o outono para assim terminar esta carta que te escrevo…


excerto do capítulo XXII

In "A Carta"

Quito Arantes


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