domingo, 15 de janeiro de 2017

JORNAL DE BARCELOS os alcobiteiros do poder municipal

Barcelos tem uma imprensa escrita em papel, completamente alienada, uma por questões meramente familiares e outra por alcovitice económica.
Enviei um texto para o Jornal de Barcelos com a finalidade de ser publicado, e fiz questão de dizer que caso não se adequasse ao editorial do jornal, que fizessem o favor de me informar.
Informaste? Não. Falta de respeito? Sim. Mas não é nada que eu não esteja habituado ao já ordinário do seu diretor.

De qualquer das formas deixo aqui o texto para vossa apreciação.


Pichagens e bonecada

Após cinco anos e meio de inserção em plena natureza, onde não existe poluição industrial, e inteirei-me o que é viver em comunidade e em equilíbrio com o ecossistema, retorno há minha cidade materna.

É impressionante como na globalidade a cidade nada mudou, contínua fria, obscura e sem incentivar a criação artesanal. Continuamos agarradas ao barro e aos têxteis, como se daí adviesse uma nova geração de criadores, que pelos vistos só se encontra na música que se vai fazendo, música essa alternativa. Queria fazer aqui uns parentes para elogiar o conservatório de música que levou um seu aluno para uma das melhores escolas do mundo em Inglaterra.

Quero dizer que continuo a não me identificar com a cidade oportunista e descaracterizada, e como seria de esperar escolhi, deram-me a oportunidade de viver numa freguesia do concelho, diga-se no campo, no meio de galinhas, cabras, árvores de fruto, paz e sossego que é isso que falta a muita gente, que vive num stress permanente sem saberem onde vão parar.

As bonecadas distribuídas pela cidade até são engraçadas, mas não revejo isso como história ou monumentos da cidade. Era muito mais interessante levar o artesanato a ser visto por toda a Europa em vez de andarem a divertir o povo com festas e concertinas, porque depois do domingo nada vem de novo e as dificuldades do povo vão continuar e certamente não vão pagar a água a metade do preço como foi prometido pelo Presidente da Câmara.

Por falar em artesanato, não sei que conceito o Senhor Presidente da Câmara tem sobre artesanato, não sei se alguma vez ele foi ao dicionário de língua portuguesa ver o que significa artesanato. Isto tudo porque fiz um pedido para montar uma banca de licores artesanais e produtos da terra, biológicos, em que sou detentor de todas as licenças existentes para a comercialização. O local na Praça da República, junto a uma paragem de autocarros não incomodava ninguém, até era uma mais-valia, e a resposta via telefone que obtive da Dr.ª Cristina Esteves a mando de sua Exa. Senhor Presidente da Câmara é que não de adequa ao lugar. Fiquei pasmando, pois uma barraca de farturas em série já se adequa. 

Isto foi só um pequeno desabafo, desta cidade de bonecadas e pichagens. Temos o centro da cidade cheio de pichagens. Atenção! Não são grafites, não é arte nenhuma, é simplesmente vandalizar a propriedade privada.

Por isso fico triste, pois pensei que ao fim de cinco anos e meio de ausência fosse encontrar uma cidade nova atraente ao turista, convidativa a viverem nela. Nada disso, mais do mesmo, a não ser terem aberto o Teatro Gil Vicente, que também não faço ideia quanto custa aos barcelenses ter o Teatro aberto. Pelo menos que se gaste o dinheiro na cultura, porque a cultura é que define a grandeza de um povo.

Francisco Arantes, 02 de janeiro de 2017