quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Certo dia, há muito, muitos anos atrás, talvez tivesse dezanove anos, estava com uma depressão de "caixão à cova". Naquele tempo a palavra depressão era aplicada a quem enlouquecia. O que não era verdade. Ignorância de um povo atrasado no tempo.
Perguntei aos meus pais, que nessa altura deviam ter a idade que tenho agora, - O que seria de mim quando eles partissem para irem ter com Deus?
Com ternura o meu pai respondeu: - Tudo se irá resolver, ainda és novo para pensares nisso.
Agora que tenho a idade dos meus pais aquando dessa altura, penso que a vida nos vai ensinando como havemos de comportar-nos perante as adversidades.
Com os ensinamentos dos meus pais aprendi a não ter medo da morte, e a saber que estamos numa breve passagem por este planeta que o homem vai destruíndo dia para dia.
Entristeste-me que miúdos como o meu sobrinho, não tenham um futuro promissor, que possivelmente não vão ter a mesma possibilidade de um dia irem pela estrada e encontrarem animais selvagens...
 
Quito Arantes (escritor)

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