domingo, 4 de maio de 2014

"A Carta nas Quatro Estações" (Continuação)

Capítulo XXXVII


"Quando, por algum motivo de força maior, desço à cidade, fica sempre um aperto no peito, como se houvesse uma perda de alma. Estou tentado criar a minha raiz nestas terras do alto Laboreiro, onde encontrei o verdadeiro sentido de viver. Sabes amiga, os momentos de felicidade que vou vivendo na serra, preenchem todas as lacunas que tenho no meu sentir de homem que renunciou ao êxtase citadino. Por mais voltas que tente dar, esta entrega à natureza, no mundo serrano, é o meu eterno sossego. Como é belo ver as minhas flores crescendo, sentir a vida em transformação, enterrar as mãos no húmus, e nos odores da terra enxergar que estou vivo. Não existe maior riqueza, do que aquela, que nas pequenas coisas, simples, nos trazem felicidade e tranquilidade neste mundo globalizado." 

by Quito Arantes