terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Capítulo XXVII - "A Carta nas Quatro Estações"

A neve cai tempestuosamente há dois dias, e eu, aqui fechado em casa, porque sair, é muito difícil. Tenho mesmo que ir à vila, hoje sem falta. Há coisas que me começam a faltar. Vamos ver o que vou arranjar para me deslocar. É bonito o manto branco de neve, mas tenho saudades dos dias de sol a nascer nas montanhas a leste de minha casa. Não deve faltar muito para as primeiras árvores começarem a florir, como um prenúncio de primavera. No final do mês já os dias crescem cada vez mais, as manhãs serão frescas, talvez ainda haja umas geadas, mas tudo começa a modificar na natureza. Renasce vida na terra, as primeiras aves migratórias começaram a povoar o céu límpido destas montanhas mágicas. As nascentes de águas puras e cristalinas descerão a serra e o gelo derreterá para dar lugar a cursos de águas que irrigaram os vastos campos de meia encosta e vales. Será altura de preparar a sementeiras, isto se o tempo permitir, porque a chuva não nos abandonará tão cedo. As sementes deitadas à terra tanto podem ser em março como em abril, depende do ano. Todos os anos são um pouco diferentes, dependendo do rigor do inverno, que agora, ainda continua rigoroso neste meio de fevereiro.
Sabes amiga, muito trabalho de escrita tem sido executado neste inverno, propício para essas coisas, mais tempo por casa, concentrado no escrevinhar. Este tempo que se faz sentir, rigoroso, e por vezes de tempestades, que até me assusta, não quero levar como uma maldição, mas com naturalidade, é a natureza em transformação, dando a suas voltas, neste planeta azul, que Deus nos ofereceu.
Depois de tomar a minha xícara de café bem quente, estou aqui, novamente, neste escrever-te, com o objetivo de levar até ti, estes sentimentos, este estar em contato contigo, com o mundo. Partilhar o que me vai na alma, levar os meus escritos aos quatro ventos. Este dia é mais uma dádiva de Deus, que me permite estar vivo para mais uma tarefa diária, e fazer render todo o esforço de produzir algo que me faça feliz, comigo e com os outros. Será sempre uma amanhã observadora para novos acontecimentos por mais simples que eles sejam.
 O vento continua e soprar forte, no seu zumbir através das giestas das encostas desta serra amada. Enquanto espero que o dia clareie, vou escrevendo estas linhas para que nada me falte por dizer no dia de hoje.

Sabias! “ O mundo pode não ser suficiente, mas o tempo basta… “

Quito Arantes