quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

In " A CARTA "

Capitulo XX - "A Carta"
 
Agora, findo o Natal, tenho de preparar a minha subida à serra, que infelizmente, não a vi coberta por um manto branco de neve no dia de Natal. Certamente haverá outras oportunidades para ver o meu lugar, revestido de brancura cristalina e observar os flocos esfarrapados caindo sobre a terra e as casas, dando-lhes um aspeto de uma beleza, linda de se ver, neste inverno que já vai em contagem decrescente.
Espero com uma certa ansiedade pelo fim de fevereiro, para começar a ver as flores a desabrocharem, como um anúncio de primavera. Até lá, redescobrirei toda a compostura do agreste das terras de Castro, onde me fixei, para levar a minha vida pelo melhor.
Começo a ter saudades da minha modesta casinha, onde lá, se concretiza toda a minha nova vida de aprendiz de escritor. Digo aprendiz, porque tenho noção que estou a muitas léguas de grandes escritores, e custa-me, por vezes, identificar-me como escritor. Na vila as pessoas conhecem-me como o escritor, é verdade que tenho obra publicada, mas isso só não chega…
Tenho alguns projetos em mente, alguns já organizados para pôr em prática. Penso que serão seis meses, até ao verão, de intenso trabalho, contatos com editoras, presidente da Câmara, Casa da cultura, trabalhos fotográficos, domésticos e muitas outras coisas mais...
Sabes amiga! Tenho um prazer enorme de sonhar acordado, e por vezes, ver os meus sonhos realizados, fruto do meu trabalho, e de amigos que acreditam nas minhas capacidades criativas. É sempre bom receber os amigos que me estão acompanhando nestes últimos anos, novos amigos, novas realidades, que vou triando para ficar o melhor das relações sociais. Normalmente, costumo dar sempre o benefício da dúvida às novas amizades, e só depois de uma análise profunda, é que parto para outra. Por mais mal que me façam, fica sempre algo de bom numa relação de amizade desfeita, e assim, gosto de ficar pelas boas vibrações que me deram. O mal não me interessa, já lá vai, e fica esquecido num canto adormecido do cérebro.

Quito Arantes

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"A CARTA"


Capitulo XIX

 

A chuva vai caindo, incessantemente, não é “abril águas mil”, é o inverno ditando o seu conteúdo. Aqui na cidade, enquanto passo as festas de natal, tenho pena que chova muito, pois sempre podia tentar trazer o meu pai ao café; tarefa bastante difícil ou quase impossível. Mas também é bom que chova, faz parte do ciclo da natureza neste país, adormecido aos enquanto da sua natureza. Por vezes não há tempo nem dinheiro, para dar uma escapadela, bem! Mas há tempo para ir ao futebol mesmo que chova, ou a um concerto do cantor em moda. Mas isso são escolhas individuais que toda a gente tem a liberdade de escolha. Quem viva em algum tédio e tendo posses para o mudar, bem podia olhar mais em seu redor, olhar o verde, ver as pequenas coisas que passam despercebidas aos olhos atarefados dos citadinos, e virando-se para a mãe natura, poderiam muito bem descobrir novos valores de existências belas, e modos de vida que nos faz pensar para melhor.
Quero que este tempo na cidade passe depressa, mesmo que arranque uma saudade da minha família. Só não ando à chuva porque certamente ficaria doente, gripado, mas por vezes, gosto de a sentir escorrer pela face, mesmo que fria ou gélida da serra. Os campos serão regados para que a primavera crie boas sementeiras, e eu ansioso de ver a explosão de cores primaveris. Será sempre como uma primeira vez que assisto. Quero ir ao abrunheiro em flor e retirar umas folhas para fazer a minha infusão de chá, que me aconselharam para uma enfermidade que me vem rodeando no dia-a-dia. Vamos ver se resulta…
Amiga! Não me recordo da última vez que me visitaste, porque até foi há muito tempo, mas recordo-me dos teus concelhos para as minhas plantas, vi a delicadeza com que lhes puseste as mãos. Ver crescer dia-a-dia, as plantas e flores, é lindo, tento falar com elas, e por vezes elas sabem dizer se estão com cede.
Certamente quando chegar a casa, levarei com uma nevada, daquelas que deixa o meu carro preso à calçada portuguesa, mas nada será dramático, é o clima que escolhi para viver e o qual me sinto melhor.
 
In "A Carta"
excerto
a editar
Quito Arantes

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

"Na Rota de Le Patriache"


Ricardo sabia que lhe esperava um novo mundo que ainda não tinha vivido, mesmo obtendo informação sobre a comunidade, em Portugal, iria ser uma nova experiência. Chegado ao centro de reabilitação, foi recebido por uma jovem que lhe falou em português, e lhe deu as boas vindas. Paula, a portuguesa que já lá estava há um ano, a primeira pergunta que lhe dirigiu, deixou-o apreensivo:
- És negativo? Ele respondeu: - Como assim?
- Se não estás infetado com o VIH?
- Ah! Não, não tenho o vírus…
- Chamas-te Ricardo, não é?
- Sim, Ricardo, prazer em conhecer-te.
-Sabes, normalmente aqui há dois tipos de residentes, os negativos, sem o vírus, e os positivos que contraíram o vírus. Mas é só isso, convivemos todos juntos, sem problemas.
- Tu vens limpo, ou a ressacar?
- Venho limpo há dois meses, e vim sozinho de Portugal, de autocarro.
Paula irradiou um sorriso e disse:
- Estranho, normalmente, ninguém vem limpo, e nunca vêm sozinhos, sempre acompanhados por familiares.
- Eu vim de livre vontade, penso que será bom para mim.
- Ainda bem que pensas assim. Agora vais ser acompanhado duas semanas por dois residentes, que te darão todo o apoio que necessitares.
O centro era todo ele a um estilo barroco, bem conservado. Tinha um largo pátio com jardim. Ricardo foi conhecendo os residentes que eram de várias nacionalidades, com predominância de espanhóis e italianos. O responsável máximo do centro era um espanhol de nome José, positivo, de poucas falas, mas simpático.
Depois de se inteirar do grupo, começaram a distribuir tarefas. Ao Ricardo e os dois acompanhantes, coube-lhes os animais. Do outro da estrada que passava junto ao centro ficava um grande campo, pertencente ao centro, onde se situava o campo de futebol e os animais. Patos, galinhas, porcos, etc…
Todos os residentes gostavam de ir para os animais, pois não era trabalho duro e estavam mais à vontade, fora dos olhos dos responsáveis do centro. Limitavam-se a dar de comer e a fumar uns cigarros.
Naquela semana, os acompanhantes eram Joseph, italiano, de Génova, e Pietro de Nápoles. Os dois eram seropositivos, mas que não transpareciam as suas enfermidades. Inicialmente, Ricardo tinha uma certa dificuldade em os entender, embora eles falassem castelhano, que era a língua oficial do centro. Praticamente toda a organização era controlada por espanhóis. Eram os mais numerosos.
 
In " Na Rota de Le Patriache "
A editar
(Excerto)
Quito Arantes

domingo, 15 de dezembro de 2013

" A CARTA "


E aqui estou, mais uma vez, acordado pela madrugada de cabeça fresca de um sono “mais ou menos bem passado”. Mas o importante é, que estarei sempre presente nesta carta que te escrevo, das quatro estações, que por vezes nos vai transformando em seres melhores.
 Tenho que ter sempre uma música de fundo, acompanhando o meu escrevinhar, para assim as palavras saírem com maior fluidez. Em toda esta carta já te falei de mim, de pessoas próximas, da natureza em constante mutação, mas quero-te falar mais destas estações do ano que transformam a terra a e a paisagem. Poderei ser, eu, um homem diferente, para melhor? Espero bem que sim, mas nunca o conseguirei sozinho, terei sempre que ouvir ensinamentos de pessoas que por gentileza se vão aproximando de mim e contam episódios de suas vidas sem nada lhes ser pedido. Memorizo o cerne das questões, vivo histórias que me contam, como se fosse um singular elemento delas, e vou aprendendo devagarinho, que vidas não devem ser comparadas. Tenho um certo apreço por gente que se aproxima de mim, que tem boas vibrações com a minha presença e aí vou escutando com simpatia. Na maior parte das vezes, sentimentos sofridos, onde pairam acontecimentos vividos por pessoas que longos caminhos percorreram para chegarem à minha conversa. Não sei se é da viagem que vou fazendo na minha vida, que me faz sentir um homem melhor. Houve tempos, tempo longínquos que nada destas coisas me diziam respeito, passava ao lado de histórias de vida, que certamente seriam fascinantes, mas hoje, não perco uma boa histórias, venha ela de onde vier, mas, sempre que venha por bem, não vou muito em histórias de vinganças, não faz o meu género.
Nestes dias de festas natalícias, terei oportunidade para tentar viver de forma consciente a cidade materna, sem preconceito, tentando abster-me dos agitamentos citadinos, com se fosse uma simples mosca se sobrevoa de aroma em aroma. Quero deixar-me ir pela solidez dos acontecimentos desta terra que me viu crescer de forma um pouco ortodoxa. Mas hoje homem maduro tento ser consensual por onde passo.
Ontem, eu e meu pai olhávamos pela janela da saleta. Observávamos as árvores do jardim público que fica logo em frente, e meu pai dizia: - Ainda há pouco tempo não se via nada para lá das árvores, hoje estão despidas de folhas.
Notei nele uma certa tristeza desta “natureza morta”. Sem deixar pousar a tristeza nele, respondi-lhe:- Deixe lá Pai, é o inverno, daqui a dois meses as árvores voltam a arrebentar e bonitas flores das ameixoeiras bravas, trarão alegria ao jardim, anunciando a primavera. Vai ver que daqui a nada já vai ver tudo verde…
 
In " A Carta "
excerto
em curso
Quito Arantes

sábado, 14 de dezembro de 2013

" A CARTA "


Capitulo XVIII
 
Depois de carregado o carro até ao tejadilho, despedi-me dos meus vizinhos, e com vontade de ver meus pais, fiz-me à estrada. Ameaçava chuva, mas felizmente, foi uma viagem tranquila. Deixar a serra não é fácil, é muito mais fácil deixar a cidade e subir para os meus encantos, onde a natureza espera sempre por mim, recebendo-me de braços abertos.
O reencontro com os meus pais, é sempre feito em alegria, principalmente quando os encontros bem de saúde.
Ontem, foi dia de tratar de assuntos profissionais e sentimentais. Apesar de levar uma multa de estacionamento, nunca é demais quando é para visitar a minha amiga do coração que está hospitalizada. Fui encontrá-la bem, e com um sorriso meigo quando deu com os olhos em mim. Foi uma visita de uma hora, onde falamos um pouco de tudo. Irá passar o Natal com a família, já com o bicho morto, e alegria de viver. Teremos os nossos encontros, sempre que os nossos corações assim o ditem. Vim feliz, sei que está bem e que talvez amanhã volte para sua casa.
Custou-me um pouco voltar ao frenesim das cidades, tive que me concentrar mais do que o costume para levar findo tudo direitinho. As multidões mexem comigo, já não me habituo ao encruzilhar das pessoas pelas ruas das cidades. Gosto de sentir o caminho livre pela minha frente, sem grandes obstáculos.
Nestes dias que estarei na casa dos meus pais, farei o máximo possível companhia ao meu “velhinho”, que por vontade própria, não sai de casa já há muito tempo. Sinto-me um privilegiado por ainda ter família, quero dizer, pais. Continuamos a ser um grande suporte para ambos, mas não quero falar de futuro, quero viver um dia após o outro.
Aqui na cidade o inverno é mais ameno, ainda se pode considerar fim de outono, as folhas castanhas ainda continuam a cair agora com mais ferocidade. Rastos de folhagens acumulam-se pelas bermas da estrada e passeios, muito trabalho para os homens camarários que tem por função limpar todas estas folhas caídas e mortas de um ano de vida.
 
Excerto
In " A Carta "
em curso
Quito Arantes
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ATÉ SEMPRE!


Levar a vida com arte, não era para qualquer um. Mas Adolfo, que trabalhara toda uma vida como trabalhador indiferenciado, engolindo todo o tipo de “sapos”, aproveitara, conscientemente, a oportunidade que a vida lhe ofereceu para se tornar naquilo que sempre ansiava
Abdicou do supérfluo, do conformismo social, de uma vida estável, para lutar pelos seus objetivos. A cidade já não lhe dizia grande coisa, os carros a redopiarem nas estradas superlotadas, a poluição sonora, aquele frenesim que tanto motivava as pessoas, já nada lhe diziam. Queria vir à cidade quando fosse estritamente necessário, e só isso. Queria estar na sua aldeia adotiva, sentir o vento, a chuva, a neve a cair em brancos flocos que cobriam a natureza de uma brancura fresca pelas manhãs de inverno, onde do seu escritório, observava pela janela do seu contentamento.
Aquela vida solitária, em que ele não assumia como tal, era interrompida por visitas de novos amigos, que passavam por lá, para saber dele. Ficava feliz pelas visitas, tecia longas conversas, e às vezes apresentava cozinhados que eram uma delícia para seus amigos. Podia até ser problemático, mas era amigo do seu amigo. Tentava compreender os anseios de quem lhe estavam próximo.
Adolfo vivia como se o dia não tivesse amanhã, como se o presente fosse infinito. Acordava de manhã, muitas vezes ainda o sol não raiava, e fazia com que o seu dia fosse uma vivência imprescindível. Gostava de dar passeios pela aldeia, redescobrir novas coisas que do nada surgiam para seu contentamento. Ninguém lhe complicava a vida naquela nova residência, toda a gente o respeitava por aquilo que era: “ O Escritor “ era assim que era conhecido na aldeia, ou então de um a forma mais sarcástica, um “Pelica”, que era aquela pessoa que vinha de fora da aldeia, novo residente.
 
In " Até Sempre!"
excerto, a editar
Quito Arantes

domingo, 8 de dezembro de 2013

"A CARTA"

Capitulo XVII

 

O Natal aproxima-se a passos largos, e eu penso, como o José Luís Peixoto quando diz: “à mesa seremos sempre cinco”, no meu caso, seremos sempre quatro, o meu pai, a minha mãe, eu, e meu irmão que está na casa dele com a sua família.

Será sempre um regresso às origens, onde enquanto for possível, viverei aqueles dias de festas natalícias, como se de um menino me tratasse. ­Abraçarei meus pais, com a intensidade de sempre, mostrarei que seu filho continua a amá-los tão bem ou melhor.

 Deixarei a serra nas festas natalícias enquanto meus pais forem vivos, e assim “seremos sempre quatro à mesa”, menos o meu irmão que está com a família e os sogros.

Não vou dizer que não sinto saudades deles, porque estaria a mentir com todos os meus dentes. Tenho saudades dos meus sobrinhos, do meu irmão e da minha cunhada, muito embora possa não ser recíproco em relação ao meu irmão, mas isso não tem importância para mim, porque nunca deixarei de amá-lo.

 Será bom voltar a minha casa em janeiro, com todo este frio de inverno, e voltar a ver e conviver com os meus vizinhos. Haverá um tempo que já daqui não irei sair, penso eu, mas como nada é definitivo, à que viver um dia após outro, e senti-lo com intensidade, mesmo que seja para o bem ou para o mal.
 
In "A Carta " Capitulo XVII
em curso
Quito Arantes
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"A CARTA"




Capitulo XVI


 

 

Neste inverno, esperarei que a terra se remova no seu interior, como eu espero remover-me no meu interior, sendo assim, continuamente uma pessoa melhor. Tenho fé, que poderei ser melhor do que sou, que encontrarei forças para melhorar o meu íntimo.
Continuo nestas horas da madrugada, escrevendo-te, até que o outono volte a chegar, assim, terminarei esta carta, tornando como concluído o ciclo das estações. Até lá muita coisa pode acontecer, e por isso, pode haver casos que falarei nas estações que sucedem a este inverno tão característico aqui na serra.
Ontem, quando vinha da Vila, resolvi tirar uma fotografia que me faltava. A imagem vista de sul, do meu Lugar, com o sol alaranjado incidindo sobre o moinho de vento e as primeiras casas, por entre carvalhais despidos de folhas. Era a foto emblemática que me faltava do Lugar onde vivo. Já tinha fotografado o belíssimo forno comunitário, centenário, e também “a poça”, tanques de água, também eles centenários, onde se pode beber água fresca da nascente, dar de beber aos animais, regar campos, e até lavar roupas grossas e finas. A “poça”, também é lugar de reuniões dos meus amigos vizinhos que por vezes, ao sol do inverno se aquecem, e conversam, ou então noutras alturas do ano, quando o tempo aquece, principalmente no verão, as conversas se prolongam até à noite.
Podem falar o que quiserem, mas continuo dizendo que este espaço do Parque Nacional da Peneda-Gerês, é inteiramente “mágico”, faz-me lembrar que nada mais existe no mundo, a não ser, estes maciços granitos lá do alto dos montes, os carvalhais, e vidoeiros, os cursos de água fresca e límpida que deambulam pelos regatos e muros e bermas, e as gentes desta terra…, sim! Essas são muito singulares.
 
In "A Carta" - Inverno
em curso
Quito Arantes





quarta-feira, 27 de novembro de 2013

" A CARTA "

Quero acreditar que este inverno será bastante frutífero para a minha veia literária. Projetos não faltam, mas daí a concretizá-los, vai uma distância, sei que não dependem somente de mim. Eu sou o criador de sonhos. E sinto que o publico leitor e não só estará recetivo aos meus sonhos acordados, congratulando-me por receberem as minhas vibrações positivas.
 O ano que se avizinha poderá ser um ano de viragem, bem! Não me refiro à política, pois essa já não é credível aos olhos dos que acreditam. Será um ano certamente, em que todo o meu ser, contemplando o inverno agreste, dará o seu ar imaginativo, penso eu, esperemos que assim seja. Tenho pensado, seriamente, na minha vida e em tudo que a envolve. E, tu amiga, que deambulas pelas estradas, em constante labuta, poderás um dia admirar a beleza dos canteiros floridos do meu terraço, logo que o inverno se despeça. Agora, resta-nos a espera da neve, que não tardará a chegar.
Resguardo o meu limoeiro entre outras plantas, que persiste em vigorar, embora haja quem não acreditasse nele, no entanto, creio que dará os seus frutos depois de florir na primavera.
Gosto do verde das plantas; do perfume das flores coloridas, enfeitando o meu pátio e o meu terraço. Gosto de sentir a vida, a terra estrumada para dar frutos, a trazer os rebentos à superfície. Gosto também dos meus “diálogos mudos” com as plantas, e sinto que os meus pedidos são atendidos.
Agora é tempo da terra descansar, apesar de algumas plantas mesmo no inverno brotarem vida.
 
 
In "A Carta " Capitulo XIV - inverno







segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"CONTOS DE ENCANTOS"

 
Nesta cavalgada da vida, encontro o sentido porque me encontro aqui, no meu escritório improvisado, onde escrevo estas palavras para ti, e para todas as pessoas que acreditam no amor. Fazer um caminho em busca da felicidade terrena, não tem mal nenhum, antes pelo contrário, só nos motiva a preencher melhor os nossos dias, a ajudar, a dar companhia a quem mais precisa, a entrar num mundo de melhor compreensão. 
   O dia do nosso encontro foi o culminar de um amor construído na base da sinceridade, na partilha dos nossos medos, do desabafar das nossas tristezas, do conforto das nossas almas peregrinas.

Dizes-me para esperar por ti, são só uns anos, mas certamente a chama do nosso amor poderá aguentar todos esses anos de espera, enquanto tu estiveres presente no meu dia-a-dia.
Mantem as tuas palavras sempre junto às minhas e não haverá tempo que nos possa separar.
 
a editar brevemente
"Contos de Encantos" o dia do nosso encontro

 







domingo, 24 de novembro de 2013

"CONTOS DE ENCANTOS"

Sinto a imagem do teu rosto sorrindo de felicidade, deste rio cristalino que vai refrescando as nossas almas, em diálogos amenos de ternura sem fim.
Sei que estás longe numa geografia humana que em nada altera a tua aproximação no dia-a-dia. Sinto que há um querer teu de estar ao meu lado, de sentarmos sobre uma manta nos verdes campos da natureza, e desgostarmos os nossos corpos bem juntinhos e adormecermos ao sabor do vento ameno e de leves chilreares das aves que nos observam alegres na nossa entrega ao mundo natural.
No dia do nosso encontro o nosso abraço será como Deus quer, fiel e de entrega às nossas almas encontradas, que nos abrirá o caminho para ser percorrido a dois.

In "Contos de Encantos" - O dia do nosso encontro
A editar brevemente

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"A CARTA" Capitulo XIV - Inverno


As mulheres da vila onde vivo, vestem-se de preto, não porque enviuvaram, mas porque a tradição assim o manda, seja verão ou inverno. Marido longe, ou emigrado, as vestes pretas, nas mulheres casadas, assim persistem, e por vezes para toda a vida. Até as noivas que casam sobre a tradição, vão vestidas de preto, com um lenço ao pescoço de seda amarelo.
Este é um Portugal raiano no ponto mais nordeste que poucos conhecem, e que tem história e pré-história à vista de todos. Desertificada devida à forte emigração e migração para as cidades por melhores condições de vida, poucos jovens aqui persistem. Assim a parte humanizada da vila e lugares que a circunscrita, muitos já desabitados, certamente têm muitas histórias para contar e encantar ao forasteiro que por lá passa, curioso de tamanha beleza natural. É um concílio entre o humano e a natureza, ali não existiam agressões ao ecossistema.
Poderei neste inverno antecipado, tentar reconciliar-me com a minha consciência. Ver que é preciso muito jogo de cintura para sobreviver neste recôndito tão bonito. Terei que fazer reflexões bem consistentes para levar a cabo os meus intuitos.
Daqui a nada chegará a neve, porque as geadas já são fortes e o gelo já predomina. Da minha janela do escritório a neve será vista como noutros anos, serena no seu cair, em pequenos flocos de uma brancura sem fim.
 
A editar
Quito Arantes

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O HOMEM DA CIDADE

Na vizinhança do seu bairro já havia quem dissesse que ele não queria trabalhar, que era um aventureiro, que andava a viver às custas da sua tia. Mas isso era inevitável, quem está de fora dá-se a essas coisas.
Despediu-se mais uma vez da tia, e no seu ar de caso, pôs-se a caminho das terras do Côa. Estava dividido entre, resolver os seus problemas existenciais e o seu namoro com Joana. Naquele momento da sua vida as duas coisas não eram muito compatíveis, mas poderia sempre minimizar os danos.
Joana sabia que ele estava a passar por uma fase difícil da sua vida, a instabilidade emocional e ânsia de querer ajudar os mais desfavorecidos, eram uma barreira entre os dois. Ela era mais terra a terra, sabia que a vida se encarregava de fazer justiça. Mas o seu amor por ele estava a superar todas aquelas divergências. Disposta a lutar por ele até às últimas consequências, esperava por ansiosamente para uma conversa construtiva e ajudar a encontrar uma solução para os dois.

In " O Homem da Cidade "
 
(Excerto) a editar

terça-feira, 12 de novembro de 2013

"A CARTA" - Outono



Não quero desistir dos meus sonhos, são eles que me fazem caminhar, sem me perder pelo caminho, vou buscando todo o sentido das coisas simples, que me vão acontecendo. Pequenas conversas, com os naturais da minha vila, fazem-me crescer dia após dia. Não quero luxos, quero uma vida digna com um pouco de conforto, onde meu trabalho se desenvolva fluentemente, muito embora o meu amigo Fritz não me deixe trabalhar como desejaria. Mas, “c´est la vie”, não se pode ter tudo.
 Ando com os sonos trocados, mas o importante é que durma as horas necessárias ao meu ritmo biológico. Gosto de acordar a meio da noite, e me dar uma vontade enorme de me pôr em frente ao computador e escrever esta carta que, pelos vistos, vai ser longa. Não passará de uma carta, onde o diabo não possa entrar, e percorrerá as quatro estações. Foi assim que me propus, amiga! Serão ventos de outono, inverno, primavera e acabarei em pleno outono, belo, onde comecei por te escrever as primeiras palavras. É esta partilha de emoções que me surgem a cada pensamento, e como dizia, a diabolização não vai fazer parte destes escritos.
Quero sentir as quatro estações como nunca senti, e de alma aberta, dizer-te o que vai no meu íntimo, sempre sem assédios ou coisas do género. É a nossa amizade que quero que prevaleça.

In "A CARTA"
EXCERTO
QUITO ARANTES

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

NA ROTA DE LE PATRIACHE


O encontro com a Irlanda, foi uma novidade para Ricardo, o verde constante da paisagem, as colinas rochosas de negruras reluzentes, criaram nele um sentido de liberdade. Mas essa liberdade só lhe coube no carro que o transportava, não pode sair pelos campos e correr livremente, sentir a frescura da manhã, e alcançar o seu ser de jovem liberto de drogas.
Fora uma experiência paradoxal, momentos felizes, mas também momentos de angústia. Houve alturas que nos campos contíguos ao casarão onde viviam, uma vez soltaram-se os porcos, e foi uma correria, todos tentando agarrar os porcos. Ricardo, conseguiu montar um, agarrou-o pelas orelhas, mas o raio do porco era mais forte, e fugiu por entre o esforço frustrado dele. Mais tarde seriam esses porcos, criados na corte, e alimentados também por Ricardo, que serviriam de alimentação para todos os residentes.
 
In " Na Rota de Le Patriache "
a editar

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Até Sempre!


Sonhar acordado era o que mais o deliciava. Apreciador da natureza, sentia-se bem no meio dela, gostava de deitar-se na erva fresca de um bosque, ouvir o vento redopiar nas árvores, as aves saltitando de ramo em ramo, sentir os regatos de águas cristalinas, serpenteando pelas encostas de montes virgens.
Viajava pela natureza, muitas vezes pedia uma carinha emprestada a amigos, e sozinho ia em busca de novas sensações na natureza. As compaixões pelo que era natural, aldeias e serras preenchiam-lhe a alma.
 
In  "Até Sempre! "
 
a editar

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Parque Nacional da Peneda-Gerês

Oh terra fecunda! Que nos teus agrestes dizeres,
 dás alma a um Povo...
 
                                                                                                     Quito Arantes 23/10/13


 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Reflexões!


Como se o Amor surgisse num olhar, num sorriso belo, transcendente, e tudo se perpetuasse na alma...

 

Quito Arantes 17/10/13

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Reflexões

Todos os Homens sonham com um momento de glória, mas ele está, simplesmente no dia-a-dia, onde superam as dificuldades com que se deparam.
Quito Arantes 18/10/13 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Rock in Castrum - Hotel Castrum Villae

Realizou-se no passado sábado dia 28 de Setembro, um encontro entre dinossauros do Rock Português: António Garcez, dos famosos Arte&Ofício, e Sérgio Castro dos Trabalhadores do Comércio, e também antigo elemento dos Arte&Ofício, juntaram os amigos e amigos dos amigos, no Hotel Castrum Villae em Castro Laboreiro, para um encontro memorável.
Uma noite da melhor música que se fez em Portugal e ainda se faz com os irreverentes Trabalhadores do Comércio.
Um grande impulsionador do evento também foi Carlos Oliveira, que muito faz para divulgar a música e cultura artística no emblemático Hotel Castrum Villae gerido por ele.





 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"A Carta" - Há coisas que ao Diabo não lembram

"Desço na clareza do teu leito, como se o amanhã fosse já ali, como se o mundo conspirasse uma flor de lótus para afagar as minhas incertezas. Depois do nada, floresce a paisagem inocula, que eu transporto na alma. Os dias são noite e as noites são dias. O tempo mata-me a saudade em pequenas pétalas quando nos vemos crescer um ao lado do outro."

In " A Carta " - Há coisas que ao diabo não lembram

Quito Arantes

domingo, 22 de setembro de 2013

Na Rota de Le Patriache

Houvera uma situação que o traumatizara e marcara para sempre; os infetados com o HIV, que tinham tratamento especial. Por último começou a jantar no châteaux juntamente com os portadores do HIV em fase terminal. Na mesa estavam três mulheres com as feições do rosto muito deformadas, era a doença mortífera a evidenciar-se. Marie também lá estava e olhava para Ricardo com ar de admiração. Ele tinha pela frente um esparguete à bolonhesa com um bom aspeto, mas vontade de comer é que não existia. Ricardo observava aqueles rostos martirizados pela doença que ainda pouco se conhecia e que ia matando jovens, sem piedade.
Apesar de lidar bem com a situação dos seropositivos, era sempre importante ter certos cuidados, como as idas aos balneários. O sangue fresco, dos cortes das lâminas de desfazer a barba podiam ser um forte fator de contágio. Alguns colegas de centro viravam-se para ele e diziam: - “ é a sida!”. E ele observava o sangue nos lavatórios que por descuido deixavam por limpar. Mas também havia regras de higiene que eram impostas pelos responsáveis, como a desinfestação dos talheres do refeitório, que eram lavados com lixívia sempre que utilizados.

In " Na Rota de Le Patriache "
a editar

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os mares são rios e os rios são mares...

Agora, os mares são rios
E os rios são mares.
As montanhas tornam-se em planícies.
O teu coração palpita na força da natureza
Como se tu pudesses encontrar-me
No momento fresco
De uma manhã de Primavera,
Onde brotam flores rejuvenescidas.
Terei aquilo que meu corpo ditar
Não poderei ser mais que um elemento,...
Na constante mutação da vida.
E enquanto os mares forem rios
E os rios forem mares,
Seremos só nós dois.
 
In " Poesia aos Quatro Ventos "

 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Portelinha, meu Amor!


 
Em ti descanso minha alma, em ti respiro o meu futuro. Aqui escolhi o meu recanto entre gente singela e de corações do tamanho do mundo. Aqui o tempo torna-se meu amigo, aqui renasço para a vida em plena harmonia com a mãe natura.

sábado, 24 de agosto de 2013

O BOBO DA CORTE

 
"Os erros passam, a verdade fica."
Diderot
 
Num reino distante, onde imperava a justiça do Rei conquistador de um mundo de trevas, das injustiças e malvadezas de nobres sem escrúpulos, um Bobo vivia como conselheiro do seu amo. Além das palhaçadas para divertir a Corte e seu estimado Rei, tinha uma função pouco comum da maior parte dos reinados do velho mundo. Sempre que alguém era chamado à presença do Rei, este queria-o por perto para subtilmente lhe dar dicas sobre a pessoa em causa.
O Bobo era uma pessoa culta que no meio das suas cenas teatrais de divertimento, conseguia ler o íntimo das pessoas presentes. Tinha uma perspicácia fora do comum, mas que só era conhecida do próprio Rei. Ninguém conseguia compreender como o seu amo resolvia os assuntos litigiosos tão facilmente. Abdicava dos conselheiros da Corte para tomar decisões delicadas.
Nas suas costas e perto dos seus ouvidos tinha sempre o seu estimado Bobo. Havia uma cumplicidade desconcertante entre ambos, e ao seu servo da Corte nada lhe faltava. Podia-se dizer que o Bobo vivia como um Rei, apesar das vestes que o caracterizava, todas elas eram dos melhores tecidos vindos do Oriente, chegando mesmo a usar a mesma qualidade das do Rei.
Os letrados da Corte e homens abastados que estavam sob a alçada daquele reino tentavam descobrir o mistério daquele Rei sábio. Podia estar doente, que até mesmo arrastando-se num estado febril, o Bobo não largava as costas do seu amo. Muitas vezes o Rei tinha que se exaltar para este ir repousar das enfermidades.
Aquele reinado era celibatário, o trono não tinha descendentes, e familiares do Rei, afiavam as unhas para tomar conta do poder logo que este fosse para o outro mundo. O descendente direto era um sobrinho que não morria de amores por ele, e estava sempre atentar arranjar conflitos, incriminando o seu fiel conselheiro.
Um dia numa caçada nos bosques da redondeza, onde tio e sobrinho apetrechavam as suas armas, seu sobrinho tentou um lance fatal para incriminar o Bobo que seguia logo atrás com a matilha de cães. Disse ao Bobo para ir buscar água ao riacho, este que também era subalterno do nobre, obedeceu e sem que tanto o Rei como o Bobo se apercebesse, mandou por terra pedaços de carne envenenada para os cães do Rei. Claro que estes devoraram o pitéu para logo de seguida ficarem prostrados, mortos sem ganir. Quando o Bobo chegou, já o Rei o olhava desconfiado do acontecimento e perguntou-lhe quem tinha sido o autor daquela carniçaria. Ele nem sabia o que responder, apesar de ser homem de resposta rápida. Cinicamente o sobrinho do Rei sorria de contente, pois sabia que a responsabilidade pelos animais, de que tanto o seu amo gostava, era inteiramente do seu fiel conselheiro. O Rei num ato de raiva e incitado pelo sobrinho, castigou o seu servo da Corte, mandando-o para terras do além. O Bobo ainda implorou a sua inocência, mas de nada lhe valeu.
Os dias foram passando na Corte, desta vez já sem a mesma animação, apesar de o Bobo ter sido substituído por outro, mas desta vez somente para o divertir. O Rei solitário começou a sentir a falta das confidências do seu ex. estimado Bobo. E o sobrinho começara a ter mais confiança com ele. Mas os assuntos eram resolvidos com bastante repressão por ostentação do herdeiro do trono. Isso não caía bem ao Rei que sempre conduzira o reino com justiça séria.
Os anos foram passando e não havia notícias do Bobo da Corte, alguém inventara que ele tinha sido morto por roubos nas terras do além.
A tristeza pairava no coração do Rei, nunca mais fora o mesmo, irritava-se por tudo e por nada, não atendia os pobres que lhe pediam ajuda, coisa que nunca fizera no tempo do Bobo. O povo estava a ficar descontente com o seu amo, e o Rei já com uma certa idade, já se preparava para delegar o trono ao sobrinho que com lágrimas de crocodilo lhe aparava o jogo.
As Cruzadas andavam nas terras do além, e constava-se que um cruzado estava distinguir-se pelos planos estratégicos nas conquistas aos infiéis. Ninguém sabia quem ele era e donde viera, mas já lhe chamavam Guilherme, o estratega.
Um dia o Rei já bastante debilitado, e a braços com uma guerrilha, com o reino vizinho, mandaram chamar o sobrinho. Este pensando que o tinha chamado para tomar as redes do poder, apressou-se a trazer todas as informações possíveis sobre táticas de guerra. Mas o Rei queria saber quem era esse tal Guilherme o estratega das cruzadas para o trazerem até ele. O sobrinho desiludido, acatou a ordem do tio, pois teria que fazer tudo o que lhe pedia para assim ser uma sucessão pacífica. Mandou um mensageiro às terras do além, onde Guilherme recebeu o mensageiro. Ao receber a mensagem e sabendo que o seu amo estava em maus lençóis, falou com as chefias e em grande cavalgadura foi ao encontro do seu amo. Havia muito mais do que vassalagem e servidão entre ambos, havia companheirismo, amizade de longos anos, emoções fortes vividas por ambos na Corte. Guilherme estava decidido a acabar com o grande equívoco que o separara da Corte e da relação amiga com o Rei.
Vestido de cavaleiro, com armaduras das Cruzadas, imponente como as suas palavras sábias aquando da Corte do seu Rei, atravessou o velho continente, preparando o estratagema para afastar o sobrinho, mal-intencionado das rédeas do Rei. Ele sabia que tinha sido o cruel sobrinho do Rei que o tinha feito a cilada, e para astuto, astuto e meio.
Toda a fisionomia do Bobo tinha mudado, agora estava queimado do sol abrasador das terras do além, os cabelos caíam-lhe pelos ombros e umas barbas rarefeitas preenchiam-lhe o rosto. Certamente não o iria reconhecer, e isso era um trunfo para ele.
Numa entrada imponente, com sua armadura e cabelos ao vento, Guilherme segui até aos paços do Castelo do Rei, onde galinhas e patos e gansos esvoaçavam à sua passagem. O povo dizia: - É ele o estratega! Bendito seja!
Toda a gente achava que seria este homem que salvaria o reino, e suas vidas da tirania do reino vizinho que tentava conquistar aquele burgo onde se vivia em paz, pelo menos até à expulsão do Bobo.
O Nobre, sobrinho do Rei, prontificou-se a recebê-lo. O Rei, da sacada de seu quarto, avistou a presença de Guilherme, o estratega das Cruzadas.
Como conhecia todos os cantos do castelo, foi direito à poltrona do reino. Ali já sua majestade aguardava ansioso por ele.
Avenenou-o e disse que estava ao seu dispor, para o desse e viesse. O Rei sentiu a firmeza da sua afirmação e reunidos com os conselheiros do reino, militares e escrivães, combinaram toda a estratégia para repelir o ataque vizinho que estava preste a acontecer. Guilherme ouviu atentamente tudo que se passava e num ato de génio, construiu um documento de parcerias de terras com o reino vizinho onde se aceitassem nada ficava perdido. Eram terras em defeso, que nos próximos dez anos de nada serviriam, e em contra partida seriam dadas terras bravias, que sem que o reino vizinho soubesse estavam prontas a cultivo. Nas incursões que Guilherme fez por terras de além, soube também, analisar solos que à partida não dariam para nada, e torna-los férteis. Com aquele salvo-conduto poderia se chegar a um acordo de paz, e foi mesmo isso que aconteceu. O acordo foi aceite sem derramamento de uma gota de sangue.
O Rei ficara impressionado com aquela manobra persuasiva do estratega das Cruzadas, fazia-lhe lembrar os bons tempos do seu amigo Bobo da Corte.
Os olhares entre ambos cruzavam-se de uma forma sistemática, como querendo dizer algo um ao outro.
No dia seguinte ao acordo de paz, o sobrinho do Rei, convidou Guilherme para uma caçada, já que o Rei não podia devido à sua debilidade física. Enquanto percorriam os bosques em busca de caça, com toda a comitiva, Guilherme, aproveitou a distração momentânea do nobre para levar os cães em busca de uma fictícia peça de caça que levava no alforge. Como se de algo divino se tratasse, os cães depois de cheirarem a peça de caça fictícia, desataram num latir ensurdecedor em frente do nobre. Este não sabia o que fazer, barafustava com os animais, sem sucesso, até que, Guilherme num assobio agudo fez terminar aquela algazarra. O sobrinho do Rei, ficou surpreendido com o ato terminal do acontecimento, protagonizado pelo Estratega. Então questionou-o: - como fez isso tão repentino e eficaz?
Então fazendo reavivar a memória ao Nobre, disse: - Contou-se por estas terras vizinhas que um dia em tempos passados, o bobo da corte foi expulso pelo Rei deste reino numa caçada, acusado de ter matado os cães deste soberano. Soube-se mais tarde que não tinha sido ele que matara os cães mas sim alguém que não gostava dele, por ser muito íntimo do Rei.
O nobre ao ouvir a história, deu uma gargalhada, dizendo: - Ora, ora! Toda a gente sabe que fora o bobo que envenenara os cães, ele queria ser livre e o Rei não lhe dava essa liberdade. Portanto foi uma maneira inteligente de se ver livre do Rei.
O nobre pressentia que algo não batia certo naquele dia de caçada. Sem saber o porquê, o Estratega, dava-lhe a sensação que algo preparava para barrar as suas pretensões ao trono.
De volta ao castelo, entrou nos aposentos reais, onde o Rei esperava por ele. Olharam-se nos olhos e o soberano notava que a cara dele lhe lembrava alguém muito chegado, os olhos do Estratega fulminavam-no, e num olhar folgaz, o Rei reparou numa cicatriz no pescoço de Guilherme, aquando este ajeitava os seus longos cabelos. Então o Rei saltou da sua poltrona, abriu os abraços de satisfação e com um forte abraço em Guilherme, disse: - Eu sabia que eras tu, eu sabia que só poderia ser tu para me salvar destas gentes atrozes. Perdoa-me das minhas injustiças, já soube que não foras tu que envenenara os meus cães. Foi o desnaturado do meu sobrinho.
Guilherme venerou o seu Rei, dizendo: - O destino me trouxe a sua Alteza, estarei aqui para o servir, se assim o desejar.
O Rei numa felicidade reluzente afirmou à corte: - Faça-se festa! O meu querido Bobo regressou, faça-se festa!
 “ Contos de Encantos “
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Quito Arantes